Mudança de hora: a cartografia por trás do relógio

Portugal acerta os relógios duas vezes por ano. No último domingo de março, adiantamos uma hora para o horário de verão e no último domingo de outubro, recuamos uma hora para o horário de inverno. A mudança de hora parece uma simples convenção, mas assenta numa ideia profundamente cartográfica: a hora de cada lugar depende da sua longitude.

A Terra completa uma rotação de 360° em 24 horas, o que significa que o Sol percorre 15° de longitude por hora. Foi com base nesta relação que, em 1884, uma convenção assinada em Washington criou os fusos horários, com o meridiano de Greenwich como ponto de partida. É a mesma linha a partir da qual se medem as longitudes no mapa.

A partir de 1 de janeiro de 1912, Portugal adotou a hora de Greenwich, e os relógios avançaram 36 minutos e 44 segundos face à hora local de Lisboa. Essa diferença corresponde precisamente à distância, em longitude, entre Lisboa e Greenwich. Assim, a geografia explica também por que razão Portugal tem dois fusos horários. O continente e a Madeira seguem a hora de Greenwich, e os Açores, mais a oeste no Atlântico, ficam uma hora atrás. Por isso, a mudança acontece a horas locais diferentes em cada região.

Da hora no relógio às coordenadas num mapa, tudo parte da mesma base: medir o território com rigor. Saiba mais sobre Cartografia e Sistemas de Informação Geográfica em: cartografia.infoportugal.pt.

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